A vida tem me feito muitas surpresas umas boas, outras nem tanto, mas, todas interligadas e conspirando para que um único fato acontecesse. Eu acredito em destino, agora mais no que nunca. Ao mesmo tempo que me sinto aliviada por ter me livrado de todo aquele sentimento de culpa, ainda é difícil para mim lidar com o de perda. Sinceramente, não sei de onde tiro forças para agir com tamanha naturalidade à certas coisas. A aparência de pessoa fria que adotei no final do meu relacionamento magoa mais a mim do que qualquer outra pessoa. Gelo por fora, fogo por dentro. Equilíbrio por fora, quebra-cabeças por dentro. A idéia de posse que aprendemos a ter depois de passar muitos anos com uma pessoa é algo muito difícil de se livrar. Para mim, ele ainda é meu e está emprestado para outra, como esteve por tantas vezes. A diferença é que desta vez eu consenti. A insistente sensação de que é temporário me incomoda bastante porque não sou mais eu. Existe outra em meu lugar. E por que raios ele não perdeu o lugar dele em mim? Queria muito sentir raiva ou qualquer coisa que o mantivesse bem distante. De mim, dos meus sentimentos e pensamentos. Mas, não consigo e só sinto falta, eu o quero por perto, nunca deixei de querer. Otto foi de uma super sabedoria quando disse que “dificilmente se arranca a lembrança”. Eu espero conseguir arrancar as minhas, acho que tá na hora do meu caderninho receber novas histórias, lindas e felizes. Sem interferência do passado. Ele merece e eu também.
Ela gosta dela. E a quer bem. :)
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