domingo, 26 de setembro de 2010

Feeling Good

Estacionei,desliguei o carro e enquanto me concentrava na minha respiração numa tentativa inútil de controlar a tremedeira que atingiu todo o meu corpo e o meu coração que planejava saltar dele,peguei o celular que havia largado no banco ao lado do meu e liguei para minha mãe. Narrei a minha nova tragédia grega, cheia de hipérboles, fazendo com que ela,como sempre, desse boas gargalhadas. Ok, em outras situações,estaria tranquila ao desligar, só que como eu mesma descrevi ainda estava suando "como um porquinho na brasa" e completamente dominada pelo meu hilário e bizarro pânico de dirigir. Até que percebi que não era a voz da minha mãe que eu queria ouvir, era outra. Fui discar um número que conheço há anos, que já tenho mais do que decorado, e acreditem, de tão nervosa, consegui errar. Me senti ridícula tendo que procurar na minha agenda, finalmente, achei e quando aquela moça irritante da operadora já estava quase enviando a minha chamada pra caixa postal, fui atendida. Mal tinha escutado o "alô" do outro lado da linha, e lá estava eu falando desesperadamente: "Eu estou tendo um colapso nervoso, meu coração vai sair pela boca", me conhecendo da maneira que conhece, ele deu uma risadinha já sabendo que eu estava bem e que não passava de mais um ataque típico da minha pessoa e perguntou o que tinha acontecido. Expliquei que a minha amiga tinha me largado dentro do carro, no meio da rua, na contramão me obrigando a usar todas as minhas habilidades de motorista para estacioná-lo, e por isso que eu estava tão desesperada. Assim como a minha mãe, ele riu bastante e mandou eu parar de bobeira, ainda reclamei mais um pouquinho falando que tava atrasada pra prova e que não tinha estudado nada. Pedi que ele me desejasse boa prova, e assim o fez. Desliguei o celular, respirei fundo... e oi? Pânico? Ele havia sumido,uma ligaçãozinha e meia dúzia de besteiras me tranquilizaram,era aquela a voz que eu queria ouvir. Liguei o som na esperança de escutar alguma coisa boa, e pro meu terror, os coloridinhos do Restart estavam agredindo os meus ouvidos com "Te levo comigo". Ri e mandei a seguinte mensagem: "Sempre pode piorar,Restart na rádio.Haha". Ele me responde: "O bom eh que agora vc ainda pode dançar ;D" e com isso, foi a minha vez de ter uma crise de riso e pensar "Como pode ser tão bobo?", quando na verdade, a pergunta deveria ser outra, como eu pude ser tão boba a ponto de me privar de viver essas coisas por todo esse tempo? Hoje, as minhas mensagens com músicas, as ligações no desespero e no tédio vão pra outro número porque é outra pessoa que me faz ficar com esse sorriso estampado no rosto a semana inteira, 24 horas por dia (mesmo quando se faz de chato pra ganhar um beijinho,os meus clássicos apertinhos no braço ou pelo simples prazer de me encher o saco). Assim como a minha saudade e o meu carinho tem outro dono. E o mais importante de tudo isso,é que eu posso gostar de alguém de novo, sem nenhum peso na consciência, e sinceramente, não tem sensação melhor do que essa.