domingo, 6 de fevereiro de 2011

.Ele gosta dela.

A vida tem me feito muitas surpresas umas boas, outras nem tanto, mas, todas interligadas e conspirando para que um único fato acontecesse. Eu acredito em destino, agora mais no que nunca. Ao mesmo tempo que me sinto aliviada por ter me livrado de todo aquele sentimento de culpa, ainda é difícil para mim lidar com o de perda. Sinceramente, não sei de onde tiro forças para agir com tamanha naturalidade à certas coisas. A aparência de pessoa fria que adotei no final do meu relacionamento magoa mais a mim do que qualquer outra pessoa. Gelo por fora, fogo por dentro. Equilíbrio por fora, quebra-cabeças por dentro. A idéia de posse que aprendemos a ter depois de passar muitos anos com uma pessoa é algo muito difícil de se livrar. Para mim, ele ainda é meu e está emprestado para outra, como esteve por tantas vezes. A diferença é que desta vez eu consenti. A insistente sensação de que é temporário me incomoda bastante porque não sou mais eu. Existe outra em meu lugar. E por que raios ele não perdeu o lugar dele em mim? Queria muito sentir raiva ou qualquer coisa que o mantivesse bem distante. De mim, dos meus sentimentos e pensamentos. Mas, não consigo e só sinto falta, eu o quero por perto, nunca deixei de querer. Otto foi de uma super sabedoria quando disse que “dificilmente se arranca a lembrança”. Eu espero conseguir arrancar as minhas, acho que tá na hora do meu caderninho receber novas histórias, lindas e felizes. Sem interferência do passado. Ele merece e eu também.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Dezembro

"Estava tudo muito bonito. Esse mês de Dezembro tá tão lindo, tão manso. Tão novo. Tão eu novo." (CFA)


           Emprego novo, rotina nova, casa nova. E de que adiantava todas essas mudanças externas e nenhuma interna? Derminei, de maneira sutil, que iria mudar e a partir daí consegui ver a diferença entre o querer e o fazer. Desde então, parece que as coisas andam conspirando para que como quem arruma o guarda-roupas e doa o que não cabe mais, eu pudesse me livrar de tudo aquilo que não cabia em mim. Sentimentos, pessoas, situações. Ir pra Recife quase todos os finais de semana do mês me deixou de coração tranquilo. Depois de ver lá de cima os prédios, as pontes e o mar, o boa noite do funcionário da Gol na saída da ponte que liga o avião ao desembarque era sinônimo de tranquilidade, em seguida o meu pai vem me abraçar e daí então os meus ouvidos se deliciam com o sotaque que me dá a confirmação de que mais uma vez estou em casa. Mil planos na cabeça, celular em mãos e a mesma mensagem enviada para várias destinatários "Cheguei, o que faremos? :*" são tradicionais. Como nem tudo são flores, a minha cidade e calor são tipo sinônimos. Mas, não é qualquer calorzinho, é um CALOR - coloco tudo em caixa alta, negrito e sublinhado para que tenham noção da intensidade-. Há coisas que só a terrinha me proporciona, além das pessoas, os lugares. Gosto do bairro antigo, da música regional, das mesinhas na calçada, cerveja gelada e do cheiro característico. É como se mesmo com todas essas viagens, a rotina corrida, eu tivesse um porto. Um lugar pra eu chamar de meu. E Recife é o meu porto.  Talvez eu só estivesse precisando destes finais de semana, das mordomias da casa dos meus pais, do carinho e sorriso dos meus amigos para sair da rotina, relaxar. Não usar isso como uma fuga da realidade e sim como uma maneira diferente de enxergar as coisas. E deixa eu te falar, deu certo. Eu estou em paz.