sábado, 23 de outubro de 2010

"Não tinha mais um dia a perder, pois embora fosse muito cedo, começou a suspeitar que era também desesperadamente tarde demais. Mas foi bonito. Não tinha importância que não desse muito certo. — Repetiu: — Nós só tínhamos vinte anos."

(Parafraseando Caio F.)


Foi uma incompatibilidade de momentos. Um gosta, o outro desgosta. Um quer, o outro não. Não sei o que vai rolar daqui pra frente, se você vai continuar aproveitando "novas paixões" durante a noite, se eu volto pro antigo amor. Mas, o mais importante é sentir, não é? Então, eu senti, você sentiu, e pelo menos naqueles dias  nós sentimos juntos e vivemos dias lindos, que com certeza vão ficar sempre aqui, comigo, guardadinhos. E agora, vamos lá. Passou, ou melhor, está passando. Só quero aproveitar a leveza que isso tudo me trouxe pra continuar fazendo o que sempre fiz, assim, desse meu jeitinho. E daqui algum tempo, quem sabe eu não volte a sentir de novo?

domingo, 10 de outubro de 2010

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Eu podia sentir de novo. Parecia mentira, mas, era verdade. Depois de meses mergulhada no trabalho, na faculdade e na tentativa frustrada de resolver os problemas de um relacionamento passado, eu, inconscientemente havia alimentado um sentimento dentro de mim. Desde o primeiro momento a razão fugiu  e fui completamente emoção. Parece que não foi a razão que fugiu, e sim a inteligência, porque se deixar dominar pelo que não te traz nenhuma segurança só pode ser burrice. Quer dizer, era "novo", um sentimento antigo com uma nova roupagem. Deve ser daí que veio tanta confiança. Intensidade. De sentimentos, nos momentos. E o que parecia impossível já estava acontecendo, talvez sempre estivesse ali, guardadinho, esperando o momento certo. Que deveria ser esse, já que nada mais nos impedia. Reconheci os seus esforços anteriores e admiti que era minha vez. Muito desinibida para umas coisas, super tímida pra outras. Várias tentativas desajeitadas, uma, duas, três cervejas e uma tequila como se tivesse tomando doses de coragem. Nando Reis na televisão do bar, respirei fundo e levantei. Lá estava você, sentado na sacada (não acho que seria sacada ,mas, não me vem outro nome), fumando. Várias coisas passavam pela minha cabeça, era impressionante a quantidade de memórias boas que tínhamos juntos. Começamos a conversar e cada vez tinha mais certeza do que queria, por instinto, fui chegando mais perto, fazendo carinho no seu rosto e não precisa ser nenhum gênio pra saber o que aconteceu. Ainda incrédula, sorri. Ele me pergunta o por que do riso, respondo que parece mentira. Ele ri e me chama de boba. Até então, nada mudou, pelo menos nele. Mas, aqui dentro, tinha uma uma mistura de felicidade com alívio, foi uma sensação tão boa e fiz questão de deixar que ela se espalhasse. Foram dois dias e meio de uma alegria que deixava os meus olhinhos cheios de brilho. Volto pra casa com a promessa de que seria tudo igual da próxima vez, e que você ainda gostava muito, muito de mim. O que fez com que eu me permitisse. Sem medos, sem culpas e de corpo inteiro. Era a confiança da velha amizade refletida ali naquele possível relacionamento.
Duas semanas depois, mais um encontro e mais uma mudança. Fomos da amizade pra algum tipo de relacionamento não definido, e de algum tipo de relacionamento não definido pra uma amizade que tinha uma frieza calculada, como se quisesse demonstrar tínhamos novas regras. Agora, os beijinhos eram no rosto, os carinhos quase inexistiam e as cobertas e os travesseiros não permitiam que dormíssemos abraçados. Mas, não seria tudo igual quando eu voltasse? Por que mudou? O que aconteceu? É angustiante saber que se eu não for atrás, nunca vou ter a resposta pra nenhuma dessas perguntas. Desde que voltei os meus pensamentos giram sempre em torno das mesmas coisas, e de novo, nenhuma solução. Eu tinha esquecido que como tudo na vida, isso também tinha o seu lado ruim e os últimos acontecimentos vieram me mostrar. E dói, né? Principalmente quando você acha que conhece a pessoa e ela toma atitudes diferentes das esperadas. Adoro surpresas, mas, confesso que as desse tipo não me agradam. É triste saber que se tornou algo tão frívolo, e o desistir que agora faz parte dele também pode vir a fazer parte você. Por mais que não seja essa a sua vontade.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Primeira Crítica.

Acho que assim como todo mundo que cria um blog,eu tinha muito medo das pessoas não gostarem do que escrevo. Tanto que ainda são poucos os que sabem da existência deste. Ouvi vários comentários do tipo "É bem você", "Te imaginei falando isso", "Me identifiquei com tal parte", e mais uma meia dúzia deles, mas, sempre os mais positivos. Então, notei que precisava de alguém que conseguisse analisar os meus textos de uma maneira menos romântica, uma pessoa que tivesse uma visão de mundo diferente da que eu tenho. Mostrei à dois amigos meus, realistas, extremistas e muitos outros "istas" de pessoas que tem os pés no chão. E para minha enorme surpresa, recebi esta crítica de um deles, que teve receio em me mostrar por achar que era muito "ácida" e que por isso eu talvez não gostasse ou achasse uma ofensa ao meu sentimentalismo exacerbado. 

"Uma doce e açucarada história. Uma pitada de romantismo, um tom por vezes infantil e um conto de fadas. Junta-se todos os ingredientes e está feita a história complexa e cheia de reviravoltas na cabeça de uma adolescente que ama pela primeira vez aos 13 anos. 

A inocência – aliás o que é mesmo inocência? – é o diapasão que marca o ritmo da história, um tanto sufocada e inaudita é provável mesmo que seja, na verdade, uma sabotagem consciente e calculada, que transmite os sentimentos mais ardidos e devassos que não convém a uma moça de família ficar revelando. Ainda sim, não deixa de ser verdade. É sincero, mas contado às avessas, pra codificar e ser entendido a quem conhece. Não foi feito pra todos, mas foi feito para a perfeita compreensão de quem precisa saber."

(Por Thiago  Vieira)

*Xu, fiquei muito feliz por saber que estou conseguindo passar o que eu sinto, você sabe, sou eu em cada uma dessas letrinhas. Muito, muito obrigada pela crítica e por perder bons minutos do teu tempo lendo os meus textos. Beijinhos! 

sábado, 2 de outubro de 2010

Hello, Goodbye

Sai do banho, voltei pro quarto. Guardei as coisas na bolsa e me permiti aproveitar mais uns minutinhos com ele enquanto os Beatles nos davam bom dia. Pelo canto do olho enxerguei minha varanda preferida, fui até lá e fiquei sentada no sofá, pensando, pensando e pensando. Tantas coisas passaram pela minha cabeça durante aqueles sete minutos que até parecia ter passado mais tempo. Senti vontade de levantar, buscar a câmera e tirar uma foto daquele lugar, que desde a primeira vez exerce algum tipo de magia sobre mim. Mas, desisti, e resolvi passar um minuto olhando pra paisagem até que ela ficasse gravada aqui dentro pra me salvar dos momentos de desespero e de saudade. E lá de dentro uma voz:
- Entra aqui, menina! Olha essa friagem!
Já estava sorrindo da mais nova bobeira quando virei e encontrei aquele rosto, o meu sorriso triplicou e voltei pro quarto. Fiquei sentada na cama conversando, enquanto, por dentro, ensaiava mil coisas que eu gostaria de falar desde a quinta-feira quando nos encontramos e tentando descobrir qual seria a hora mais propícia pra começar a tal "DR". Descemos pra almoçar e suas gracinhas, como sempre, me fizeram rir bastante. É engraçada a forma com que me sinto acolhida naquela casa, e como tenho cuidado e carinho por todos. Sinto falta quando passo muito tempo sem ir. Das pessoas, dos cachorros, da varanda, da comida...
Eu ainda tinha mais algum tempo antes de viajar e fomos ao salão, deveria ter acreditado quando me falou que ia fazer algo diferente. Até ficar pronto, eu balancei muito o pézinho demonstrando a minha agonia e ansiedade pra ver o resultado enquanto o cabeleireiro se divertia as minhas custas fazendo piadinhas. Lindinho, como sempre, se a senhorinha sentada ao lado não tivesse feito mil elogios, acharia que eu estava realmente muito derretidinha por esta pessoa. Voltamos pra casa, já era bem tarde, só daria tempo de pegar a bolsa e ir rapidinho pra rodoviária. Depois de descobrir que o ônibus passava as 17h e não as 16h como eu pensava, tive que partir pra um plano B e pedir um táxi. Enquanto a vózinha fofa procurava o melhor táxi pra me levar, eu fiquei deitada mexendo no laptop. Mera coincidência ou obra desse destino que volta e meia resolve aprontar comigo, caiu numa música nova, de título tão confuso quanto os pensamentos de quem escreveu. Redobrei a minha atenção a fim de escutar cada detalhezinho, numa tentativa meio infantil de me achar naquela letra, e infelizmente ou felizmente, ainda não sei, me achei. Esperei que ele entrasse no quarto e falei:
- Juro que não procurei, tava vendo umas coisas aqui...
Acho que a minha cara me entregou, nem precisei terminar a frase, escutei um palavrão e vi o seu rosto ficar meio rosado. Ele deitou do meu lado, perguntou o que eu tinha achado da música. Falei que era legal e encostei minha cabeça no peito dele. Ficamos conversando um pouco, gosto de ver o rosto dele daquele ângulo. Quis escutá-la de novo, pra ter certeza que era legal mesmo. Enquanto isso tirei um pacotinho de dentro da bolsa.
- Toma, põe na tua carteira, pra te proteger.
- É um escapulário? Tá bento?
- Sim ,sim.
A minha mania de repetir as palavras se encaixou perfeitamente na resposta das perguntas.Para o meu espanto, escutei:
- Vou usar.
Já estava satisfeita com a ideia dele guardar na carteira, nem no meu mais remoto pensamento achei que ele fosse usar. Aquilo me agradou tanto, a santinha que me escutou quando nos tínhamos brigado, que me fez ganhar a rosa como prova de que o meu pedido seria atendido, agora estava na imagem daquele escapulário no pescoço dele. Pra qualquer aprendiz de beata, como eu, é um sentimento de graditão enorme. Enfim, problema do táxi resolvido. Peguei minha bolsa, e meu corpo inteiro travou, a vontade de ficar era tanta, nem que fosse só por hoje, só por mais um show. Respirei fundo e fui saindo do quarto, seguindo aquele grande par de chinelos de fivelinhas que eu gosto, tanto nos pés dele quanto nos meus. Sabendo que não poderia me despedir lá embaixo, falei o seu nome, ele virou e eu pedi pra que chegasse perto. Dei um abraço, um beijinho na bochecha. É tão difícil ter que dar tchau. Queria ficar ali, abraçadinha, escutando:
- Obrigada por ter vindo! Fica bem, tá? Se cuida.
Falados num tom tão irônico e cômico, que por um momento me fizeram rir, mesmo com o coração apertadinho por ter que ir embora. Como de costume, quase fui derrubada pelos cachorros e apressei o passo pra passar logo pelo portão, me despedi da vózinha fofa, mais um beijo e um abraço rápido nele e o taxista já estava com a porta do carro aberta esperando que eu entrasse.
Dentro do táxi, me dei conta de que mais uma vez os meus olhinhos estavam começando a ficar molhados, sempre acontece, como uma espécie de saudade instantânea. Peguei o celular e digitei uma mensagem, precisava falar o que estava pensando enquanto poucos quilômetros de distância nos separavam. O velho hábito de checar as coisas da mala, me fez perceber que havia esquecido o meu cachecol. Da primeira vez uma toalha, da vez passada um par de meias, dessa vez um cachecol,meu preferido. Parece que a minha memória é ainda mais fraca quando estou lá, deve ser o meu subconsciente tentando avisar à essa pessoa que cada vez que preciso me despedir e voltar pra outra cidade mais um pouquinho de mim fica ali, com ela.