Eu podia sentir de novo. Parecia mentira, mas, era verdade. Depois de meses mergulhada no trabalho, na faculdade e na tentativa frustrada de resolver os problemas de um relacionamento passado, eu, inconscientemente havia alimentado um sentimento dentro de mim. Desde o primeiro momento a razão fugiu e fui completamente emoção. Parece que não foi a razão que fugiu, e sim a inteligência, porque se deixar dominar pelo que não te traz nenhuma segurança só pode ser burrice. Quer dizer, era "novo", um sentimento antigo com uma nova roupagem. Deve ser daí que veio tanta confiança. Intensidade. De sentimentos, nos momentos. E o que parecia impossível já estava acontecendo, talvez sempre estivesse ali, guardadinho, esperando o momento certo. Que deveria ser esse, já que nada mais nos impedia. Reconheci os seus esforços anteriores e admiti que era minha vez. Muito desinibida para umas coisas, super tímida pra outras. Várias tentativas desajeitadas, uma, duas, três cervejas e uma tequila como se tivesse tomando doses de coragem. Nando Reis na televisão do bar, respirei fundo e levantei. Lá estava você, sentado na sacada (não acho que seria sacada ,mas, não me vem outro nome), fumando. Várias coisas passavam pela minha cabeça, era impressionante a quantidade de memórias boas que tínhamos juntos. Começamos a conversar e cada vez tinha mais certeza do que queria, por instinto, fui chegando mais perto, fazendo carinho no seu rosto e não precisa ser nenhum gênio pra saber o que aconteceu. Ainda incrédula, sorri. Ele me pergunta o por que do riso, respondo que parece mentira. Ele ri e me chama de boba. Até então, nada mudou, pelo menos nele. Mas, aqui dentro, tinha uma uma mistura de felicidade com alívio, foi uma sensação tão boa e fiz questão de deixar que ela se espalhasse. Foram dois dias e meio de uma alegria que deixava os meus olhinhos cheios de brilho. Volto pra casa com a promessa de que seria tudo igual da próxima vez, e que você ainda gostava muito, muito de mim. O que fez com que eu me permitisse. Sem medos, sem culpas e de corpo inteiro. Era a confiança da velha amizade refletida ali naquele possível relacionamento.
Duas semanas depois, mais um encontro e mais uma mudança. Fomos da amizade pra algum tipo de relacionamento não definido, e de algum tipo de relacionamento não definido pra uma amizade que tinha uma frieza calculada, como se quisesse demonstrar tínhamos novas regras. Agora, os beijinhos eram no rosto, os carinhos quase inexistiam e as cobertas e os travesseiros não permitiam que dormíssemos abraçados. Mas, não seria tudo igual quando eu voltasse? Por que mudou? O que aconteceu? É angustiante saber que se eu não for atrás, nunca vou ter a resposta pra nenhuma dessas perguntas. Desde que voltei os meus pensamentos giram sempre em torno das mesmas coisas, e de novo, nenhuma solução. Eu tinha esquecido que como tudo na vida, isso também tinha o seu lado ruim e os últimos acontecimentos vieram me mostrar. E dói, né? Principalmente quando você acha que conhece a pessoa e ela toma atitudes diferentes das esperadas. Adoro surpresas, mas, confesso que as desse tipo não me agradam. É triste saber que se tornou algo tão frívolo, e o desistir que agora faz parte dele também pode vir a fazer parte você. Por mais que não seja essa a sua vontade.
Aproveite o hoje e não pense no amanhã.
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