"Acho que escrever uma história é uma coisa muito boa. O coração da gente fica mais quentinho e a gente gosta mais das pessoas." (Caio Fernando Abreu)
sábado, 20 de novembro de 2010
Ch-ch-changes
Minha vida acontece de uma maneira peculiar, quando acho que está tudo certo, alguém lá em cima resolve limpar a casa, e sopra a poeira de um dos móveis, deixando ela se espalhar por todo canto. É uma boa metáfora pra explicar o que acontece: as coisas estão bem, daí, do nada, os fatos se desenrolam de uma maneira que faz com que me identifique muito com a Maysa quando ela fala que o mundo dela caiu, porque de fato, a sensação é essa. Como se o chão que está embaixo dos meus pés sumisse, e o mundo realmente caísse - inteirinho - sobre a minha cabeça. Pra alguns pode soar melodramático, porém, é exatamente isso que sinto. Há duas semanas que estou completamente imersa neste meu momento Maysa, pra que entendam a intensidade da coisa, nem o Rio de Janeiro "continuou lindo", fui e voltei com a mesma angustia. A minha fé e devoção sempre foi e ainda é o meu refúgio nessas horas. É o meu jeitinho de encarar esse tipo de acontecimento. Tive dias muito doídos, e ontem, quando achei que tudo finalmente estava se reorganizando, mais uma notícia, uma espécie de cereja pro meu bolo de contratempos e chateações. Tinha acabado de receber ótimas notícias, posso dizer que as melhores durante esses dois anos que saí da casa da minha mãe e uma simples frase, uma inocente fofoquinha de amigas fez com que aquilo que era tão importante pra mim fosse deixado de lado. Sabia que mais dia, menos dia iria acontecer, por mais que eu não quisesse, aconteceria. E olha, sentir que perdeu não é bom. Dóidóidói.. desse jeito, sem vírgula pra mostrar que não tem pausa e dói assim, sem parar. Tanto que eu não consigo nem expressar, não cai uma lágrima sequer pra começar a colocar isso pra fora e aliviar esse turbilhão aqui dentro. Posso falar que sou um quebra-cabeças, 1m67 fragmentado em zilhões de pedacinhos que não conseguem mais se encaixar. Ao mesmo tempo, vejo o presente que ele me deu e pelo qual vou ser eternamente grata. Sintonia, afinidade, cumplicidade, compreensão e amor principalmente este último, daqueles de mãe-filha/filha-mãe, incondicionais, sem fim. Parece que por mais que o meu coração não queira, mais uma etapa está sendo encerrada. O que eu menos preciso agora é de recomendações, críticas ou qualquer tipo de comentário que o outro julgue importante. Sem querer ser grossa, estou precisando do meu espaço, de tempo pra reorganizar, reerguer tudo. Acho até feio falar isso, mas, não há maneira sutil de pedir que te deixem sossegada por umas horas, dias, semanas, meses... o quanto for necessário. E sei que nos próximos tempos, independente do momento, todas as vezes que eu fechar os olhos pra rezar, vou pedir pra Deus muita paz pro meu coração, que a minha fé nunca seja abalada por esses acontecimentos e que mesmo sofrendo, eu consiga desejar com sinceridade a felicidade do outro - mesmo que eu não faça mais parte dela-.
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